sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A (polêmica) temporada de Cruzeiros Maritimos na Costa Brasileira


Na atual temporada de verão no nosso país, não se fala em outro tipo de viagem, que não seja "cruzeiros marítimos". Na 4 Estações, mais da metade de todos os passageiros que embarcaram em Janeiro e ainda vão embarcar em Fevereiro e Março, optaram por passar suas férias em alto mar... Um sucesso absoluto. A coqueluche do momento em Turismo. Todo mundo quer fazer um cruzeiro... E já tem gente comprando pacotes para viajar na temporada 2009/2010.Diante da crise econômica e do conseqüente aumento do dólar, muitos brasileiros substituíram a viagem ao exterior por uma viagem no Brasil, ou no máximo até a Argentina (e pelo mar), especialmente depois de examinar a relação custo-benefício oferecida pelos navios que navegam em águas brasileiras e do Atlântico Sul. O preço dos cruzeiros inclui hospedagem, alimentação, bebidas (no caso de uma das operadoras, até mesmo as bebidas alcoólicas), entretenimento e muitos outros atrativos.

Catorze transatlânticos (todos com bandeiras estrangeiras) estão fazendo a alegria dos turistas brasileiros, que devem chegar meio milhão de pessoas até o final da temporada 2008/2009, iniciada em novembro passado e que se estenderá até abril. Esse número significa um crescimento médio de 25% em comparação com a temporada anterior (2007/2008).

Ao final da alta estação, terão sido realizadas 235 viagens de cruzeiro na costa brasileira!!! Está achando os números impressionantes? Veja mais: Vinte e quatro destinos estão sendo visitados pelos navios só na costa brasileira: Angra dos Reis, Belém, Búzios, Cabo Frio, Fernando de Noronha, Florianópolis, Fortaleza, Ilha de Jaguanum, Ilhabela, Ilhéus, Itajaí, Macapá, Maceió, Manaus, Natal, Paraty, Porto Belo, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Santarém, Santos, Vitória e Ubatuba. Sem contar Punta Del Este no Uruguai e Buenos Aires.Mas toda esta "festa", tem causado uma polêmica repercussão, que vem questionando e colocando em risco o sucesso de uma das atividades turísticas mais promissoras do país nos últimos tempos, já que cinco pessoas morreram a bordo ou no retorno de viagens de navio, desde que a temporada começou. Um número considerável de turistas também passou mal, a maioria com sintomas de intoxicação alimentar. Além disso, imagens de jovens bêbados, drogados, totalmente fora de controle dentro dos navios estão sendo veiculadas em telejornais, programas de TV e na Internet, dando uma falsa impressão que a coisa está generalizada, que todo cruzeiro tem problemas (não é bem assim – muito pelo contrário). Todos estes lamentáveis incidentes estão preocupando o setor e se tornaram foco da mídia nas últimas semanas.

Antes de mais nada, é importante esclarecer que existem dois tipos de cruzeiro: os comuns (abertos) e os temáticos (fechados). Os cruzeiros comuns, chamados também de “familiares” podem ser adquiridos por qualquer pessoa, em qualquer agência de viagens no país. São conhecidos também como cruzeiros de férias e são os preferidos por famílias que querem viajar juntas ou com as crianças e também por casais sem filhos ou em lua de mel.

Já nos cruzeiros temáticos (fechados), as companhias proprietárias dos navios ou em alguns casos, agências de promoção e eventos, escolhem determinadas datas de saída, definem um tema (como beleza, gastronomia, moda...) ou um determinado tipo de público que querem atingir e comercializam os pacotes somente para este público. É o caso dos cruzeiros onde se apresentam artistas – nesta temporada, o "Rei" Roberto Carlos, a dupla Zezé di Camargo & Luciano e o cantor Fábio Junior, que já haviam se rendido à moda dos cruzeiros em temporadas anteriores, vão se apresentar mais uma vez. Também fazem parte deste grupo, os cruzeiros destinados ao público GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), aos solteiros e descasados, aos universitários... Também são considerados temáticos, as micaretas em alto mar, conhecidas como “Carnavio” e os cruzeiros destinados a profissionais, que funcionam como uma espécie de congresso; ou ainda programas de TV, como o “Pânico no Navio”, que já foi realizado várias vezes na costa brasileira.

Outra informação importante é que os cruzeiros comuns ou familiares representam mais de 85% das viagens nesta temporada. Ou seja, o número de cruzeiros temáticos é infinitamente menor. E obviamente, os problemas que podem vir a surgir em um cruzeiro marítimo, também vão variar conforme o público participante, embora existam aqueles riscos comuns a todo tipo de cruzeiro.

O site da revista Veja (Veja.Com) tomou a iniciativa, saiu em busca da opinião de especialistas e trouxe esclarecimentos bastante interessantes acerca do polêmico assunto. De acordo com os experts ouvidos pelo site, não há nenhuma causa específica que explique os incidentes ocorridos até o momento, já que as mortes foram comprovadamente acidentais e não representam uma tendência especialmente preocupante. Ainda assim, eles dizem que a discussão do assunto pode ser uma excelente oportunidade para alertar quanto aos riscos existentes nesse tipo de passeio, que podem ser minimizados, ou reduzidos a um número próximo de zero, se o assunto for tratado com a seriedade necessária.

Especificamente no caso dos cruzeiros universitários, dentro dos navios, é muita gente reunida num espaço relativamente pequeno, em alto mar, longe de tudo, com recursos limitados, sem fiscalização adequada ou policiamento, o que pode gerar uma sensação de liberdade excessiva, já que a maioria esmagadora é de cruzeiristas muito jovens, com menos de 25 anos de idade.

Um aspecto importante que há de se levar em consideração neste tipo de cruzeiro, é o comprovado excesso de bebidas alcoólicas e drogas dentro dos navios. (Este problema é muito menor nos cruzeiros familiares). Segundo opinião de órgãos fiscalizadores, muitos dos jovens brasileiros chegam ao navio e se vêem longe dos pais, sem ter que dirigir, clima de oba-oba, influência dos amigos e acabam abusando. Para conseguir entrar com drogas nos navios, os turistas chegam a usar métodos utilizados por criminosos em presídios. E mesmo que não se permita a entrada de bebidas alcoólicas vindas de fora, quando alguém porta algum frasco com liquido, a tripulação dos navios cheira para ver do que se trata.
De acordo com o chefe da delegacia de polícia marítima de Santos, existem mulheres que chegam ao absurdo de embarcar nesses cruzeiros com comprimidos de ecstasy escondidos nas roupas íntimas. O porto da baixada santista, assim como o do Rio de Janeiro, é privatizado e conta com infraestrutura e equipamentos semelhantes aos de aeroportos. O terminal faz investimentos em tecnologia e tem postos da Polícia Federal, Polícia Civil e Receita Federal. Nos dias de maior movimento, a operação conta com o reforço de cães farejadores da guarda portuária, que auxiliam na verificação das bagagens, segundo informações da Concais, empresa responsável pelo porto de Santos.

Só que não adianta nada uma estrutura destas, se não houver revista nas escalas turísticas. A fiscalização realizada durante as paradas em outros portos é promovida pela própria tripulação do navio. Se o passageiro desce e compra droga, na volta ele entra com muita facilidade. É muito fácil esconder uma pílula. É preciso modernizar, adequar melhor os demais portos brasileiros onde aportam navios de cruzeiro.

Falou-se muito também no caso da intoxicação alimentar de 400 pessoas em um dos cruzeiros (este, familiar). Mas depois foi comprovado que se tratava de um vírus, que tem os mesmos sintomas de gripe, algo normal de acontecer em lugares fechados e cheios de gente.

Considerando a hipótese de um vírus, podemos pensar que este seria um risco comum a qualquer cruzeiro, seja ele familiar ou universitário. Sendo assim, não seria interessante ouvir a opinião da ANVISA?! Pois bem, em nota oficial, a AVISA afirma que todos os navios que vem para as temporadas de cruzeiro no Brasil, são bem vistoriados sob pena de multa, antes de começarem uma viagem. As embarcações são inspecionadas obrigatoriamente no primeiro ponto turístico internacional do país, na entrada do navio em território nacional e também no último porto turístico internacional, antes de sair do país. A ANVISA afirma ainda que os navios de cruzeiro também são reinspecionados em outros portos, justamente para evitar que algum vírus seja propagado durante a viagem. Quando é encontrada qualquer irregularidade, a embarcação fica retida no porto até sua regularização, o que representa um enorme prejuízo para as companhias de navio, que tem um cronograma rígido de datas e horários a seguir, para realizar todas as excursões da temporada. Além da multa, é claro!

A posição do presidente da Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar), Eduardo Nascimento, é de que este é o primeiro ano que estes incidentes ocorrem em navios no Brasil, mas por outro lado, nunca se transportou tanta gente em cruzeiros marítimos. Segundo a Abremar, não cabe ao navio fazer exames médicos pré-embarque. A recomendação é que passageiros doentes não viajem, mas alguns insistem, e aí correm esse risco.

Excluindo-se os fatos lamentáveis das mortes, é até positivo que toda esta repercussão resulte nestas discussões. Embora seja importante esclarecer os pontos que abordamos aqui, para que não se corra o risco de se rotular qualquer viagem de navio como "arriscada" ou algo que deva ser evitado. Não tenho em mãos os números exatos, mas só na nossa cidade, entre 150 e 200 pessoas (pelo menos) realizaram viagens em cruzeiros familiares e temáticos na costa brasileira, somente nesta temporada, que tem sido foco de tanta polêmica. E até o momento, só tenho ouvido muitos elogios a este tipo de viagem.

O Brasil ainda está dando os primeiros passos neste segmento: o de cruzeiros marítimos. Por isso, torcemos para que o assunto seja exaustivamente discutido, e que medidas sérias sejam tomadas para evitar qualquer incidente, que a fiscalização seja mais abrangente, e que sejam feitas exigências aos navios, aos portos, às operadoras organizadoras dos cruzeiros familiares ou temáticos e também às agências de viagem, para que conscientizem e preparem bem seus passageiros antes de embarcarem em navios.

Quem já participou de um cruzeiro (onde tudo deu certo - felizmente, a grande maioria pode afirmar isto) sabe o quanto é divertido, relaxante e inesquecível uma viagens dessas. Queremos todos continuar embarcando com nossos amigos e familiares para desfrutar de dias maravilhosos de férias em alto mar.

7 comentários:

Anônimo disse...

Mandou bem heim?!
Concordo com cada frase...
Bjs, Jana

Luiza Meyer disse...

Oi Diana, obrigada pela aula!!! Há muito tempo venho me questionando sobre esse assunto e encontrei tudo o que queria em um lugar só. Parabéns!!!

Ana Cris disse...

Excelente texto, pertinente e muito esclarecedor. Comadre escreve bem, hein?
Bejo com saudade.
Ana Cris

Diana Carvalho disse...

Gente!!!!

Que bom que vcs gostaram...
Brigada!

Beijos...

Anônimo disse...

simples, claro e direto...
Adorei o texto...
Adoro cruzeiros marítimos...
Gostaria de saber um pouco mais sobre como escolher a companhia de cruzeiros...
Paula Nantes, Dourados - Mato Grosso do Sul.

Anônimo disse...

muito bom seu texto. parabens!
gsotaria de dicas tambem sobre as companhias de viagens que realizam esse cruzeiros fechados!
caso nao seja pedir muito, envie a dica para brunowmcosta@yahoo.com.br

bjos e sucesso

Anônimo disse...

gostaria de saber o índice de pessoas que passam mal por enjôo neste tipo de viagem, estamos pensando em ir com filhos pequenos e normalmente eles tem problema de enjôo em viagem, temo que isto seja pior em uma viagem de navio.
ficarei muito grata se puderes me ajudar...
marcy3cruz@yahoo.com.br